Foco no futuro:
como ensinar, aprender
e trabalhar na era
da distração
O valor da atenção
EDITORIAL
Vivemos um tempo em que a atenção se tornou um recurso cada vez mais disputado. Redes sociais, vídeos curtos, jogos, notificações e plataformas digitais fazem parte da rotina e ampliam possibilidades de acesso à informação, aprendizagem e criação. Ao mesmo tempo, tornam mais desafiador sustentar a concentração, aprofundar uma ideia e distinguir o que é relevante em meio a tantos estímulos.
Esse é um desafio que envolve toda a sociedade. A educação precisa acompanhar as transformações tecnológicas sem tratá-las como ameaça nem como solução para tudo. Escolas, educadores e famílias têm papel fundamental na formação de jovens capazes de compreender o ambiente digital, reconhecer a influência dos algoritmos e usar essas ferramentas com propósito. Aos estudantes, cabe também desenvolver autonomia, disciplina e responsabilidade sobre a maneira como dedicam seu tempo e consomem informação.
Essa capacidade será cada vez mais importante fora da escola. Em um mercado transformado pela inteligência artificial, competências como pensamento crítico, criatividade, resolução de problemas e capacidade de reflexão ganham relevância. O mesmo vale para as escolhas profissionais: em um ambiente marcado por comparações, tendências e imagens idealizadas de sucesso, decidir um caminho exige pesquisa, autoconhecimento e tempo para pensar.
O EducarES 2026 parte desse cenário para discutir como aprender, ensinar e construir projetos de vida em uma era de permanente disputa pela nossa atenção. As reportagens desta edição apresentam diferentes perspectivas sobre os desafios da hiperconexão e, principalmente, sobre as possibilidades de transformar a tecnologia em instrumento de conhecimento, criação e desenvolvimento.
A Rede Gazeta acredita na educação como força de transformação social e de desenvolvimento do Espírito Santo. Formar jovens para o nosso tempo é prepará-los para dominar novas ferramentas, mas também para pensar com profundidade, fazer escolhas conscientes e construir, com autonomia, o próprio futuro.
Marcello Moraes
Diretor-geral da Rede Gazeta
COMO USAR
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EXPEDIENTE
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EDITORA DO ESTÚDIO GAZETA
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COORDENADORA DE CRIAÇÃO
DO ESTÚDIO GAZETA
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EDIÇÃO
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Marcello Moraes
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SUMÁRIO
O design das redes estimula o usuário a permanecer preso
à tela sem perceber
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Você desliza o dedo pela tela do celular. Assiste ao próximo vídeo. Depois a mais um. E outro, em looping. O gesto já é automático. Perder a noção do tempo nas redes sociais tem relação direta com um recurso de design chamado scroll infinito, criado em 2006 por Aza Raskin, que eliminou a necessidade de clicar para carregar mais conteúdo em uma página. Presente em plataformas como TikTok, Instagram e Facebook, o mecanismo se tornou uma das estratégias mais eficientes para manter a atenção do usuário. Tão eficiente que Raskin já declarou se arrepender de ter ajudado a desenvolvê-lo.
Na prática, essa engrenagem ativa um circuito infinito de recompensa para o cérebro. Com o tempo, é preciso cada vez mais estímulos para ter a mesma satisfação. Isso é o que detalha Marcelo Santos, psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
“O scroll remove os pontos de parada na cognição comportamental. Ou seja, o pico da dopamina não ocorre pelo consumo do conteúdo, e sim pela expectativa de quando a próxima recompensa virá. É isso que mantém a pessoa sempre esperando o vídeo seguinte”, explica.
Segundo ele, essa “desativação do freio mental” faz com que a pessoa passe horas em frente à tela sem ao menos perceber: “A ausência do limite virtual da página leva a um modo de economia de energia, e o córtex pré-frontal, área responsável pelo autocontrole e pela decisão de parar, é silenciado.”
Embora o circuito de recompensa seja comum a todas as pessoas, algumas são mais vulneráveis ao scroll infinito. Confira:
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“O scroll remove os pontos de parada na cognição comportamental. Ou seja, o pico da dopamina não ocorre pelo consumo do conteúdo, e sim pela expectativa de quando a próxima recompensa virá. É isso que mantém a pessoa sempre esperando o vídeo seguinte.”
Marcelo Santos
Psicólogo e professor da
Universidade Presbiteriana Mackenzie
“Antes de estabelecer regras para as crianças, os adultos devem monitorar o próprio uso das telas e servir de modelo.”
Fabiana Pinheiro Ramos
Professora doutora do Departamento
de Psicologia da Ufes
Quando o hábito
vira dependência

É importante que as pessoas criem tempos de espera fazendo outras atividades, sem celular
Caminhos para retomar o controle
A doutora Fabiana Pinheiro Ramos, docente do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), alerta para o caso das crianças e dos adolescentes.
“Em casa, é importante estabelecer combinados prévios sobre o tempo de tela e o que pode ser acessado. Essas regras devem vir sempre acompanhadas de explicação sobre os motivos das limitações, para que os filhos sintam que estão sendo protegidos, e não punidos”, sinaliza.
A atenção também vale para os pais e responsáveis. “Antes de estabelecer regras para as crianças, os adultos devem monitorar o próprio uso das telas e servir de modelo”, recomenda a professora.
Colocar isso em prática exige paciência. A mudança de hábito acontece de forma gradual, conforme aponta o psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marcelo Santos.
“Nos primeiros dias, é comum haver maior resistência à mudança. Com a repetição, entre duas e três semanas, o corpo começa a se adaptar à nova rotina. Entre 60 e 90 dias, esse processo tende a se consolidar. No entanto, esse período varia de acordo com cada indivíduo”, ressalta.
Em casos mais graves, os especialistas lembram: buscar ajuda especializada não é fraqueza, e sim o caminho mais seguro para recuperar o controle sobre a dependência do scroll. bookmark
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O que fazer |
Por que funciona |
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Colocar a tela do celular em escala de cinza; deixar o aparelho fora do quarto ao dormir ou trabalhar |
Reduz o apelo visual e impõe limites de uso |
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Permitir-se momentos de espera sem o celular (em filas, no transporte) |
Reeduca o cérebro a lidar com a ausência de estímulo constante |
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Incluir atividades analógicas na rotina (livros, quebra-cabeças, artesanato) |
Ajuda a recondicionar o córtex pré-frontal e gera satisfação real |
Uso de celular em sala de aula está restrito a atividades pedagógicas desde janeiro de 2025
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Em vigor desde janeiro de 2025, a lei que restringe o uso de celulares nas escolas de educação básica já mostra resultados: o retrato das salas de aula é de alunos mais atentos e mais dispostos a conversar entre si, e não por meio das telas. É o que aponta a Pesquisa Nacional – 1º ano da Lei nº 15.100/2025, realizada pelo Ministério da Educação (MEC), pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Instituto Alana, com cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O estudo indica também outros dados relevantes: 95% dos gestores percebem melhora na concentração durante as aulas, 97% notam mais participação nas atividades pedagógicas e 95% identificam avanço na socialização presencial nos intervalos. A pesquisa, que teve mais de 2,4 mil profissionais ouvidos, um por escola, ainda mostra queda nos episódios de conflito: 88% relatam menos agressões digitais e cyberbullying, e 86% afirmam que a restrição reduziu a ansiedade dos estudantes.
Em Vitória, o Centro Educacional UP é uma das instituições que já observou os benefícios da lei. O diretor-presidente da instituição, Fábio Portela, afirma que houve uma mudança concreta na dinâmica das salas, com mais atenção sustentada durante as explicações, menos interrupções e uma retomada de conversas presenciais nos intervalos.
“Comparando-se os indicadores internos de aprendizagem, como simulados, avaliações bimestrais e frequência de participação dos últimos dois anos, o UP identificou melhora consistente em indicadores de concentração e entrega de atividades. Ainda é cedo para isolar a restrição de celulares como única causa, mas a correlação com a melhora nos resultados é clara”, enfatiza.
Vale ressaltar que, na escola, o celular não desapareceu, mas sim passou a ser usado de forma orientada e sempre sob mediação do professor. Essa também é uma realidade mostrada na pesquisa em nível nacional: 86% das instituições mantiveram ou ampliaram atividades pedagógicas com tecnologias digitais, enquanto 87% realizaram ou planejam realizar ações de educação digital.
“O UP não trata tecnologia como um problema, e sim como ferramenta quando usada com propósito. Trabalhamos com uso orientado em momentos específicos: pesquisa, produção de conteúdo, plataformas educacionais. Tudo sempre na presença do professor, mantendo o celular fora da rotina espontânea da sala de aula”, destaca Portela.
Impactos no desenvolvimento
Para a psicóloga Jade Carvalho da Silva, doutoranda no Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), os efeitos em sala têm respaldo no desenvolvimento infantil. O uso excessivo e sem mediação de telas pode prejudicar a linguagem, a memória, a atenção e até o sono dos pequenos e dos adolescentes, alerta.
“O celular traz muitos estímulos ao mesmo tempo, o que pode ocasionar prejuízo na capacidade de controle atencional e concentração. Isso se reflete na queda do desempenho escolar. Há também os prejuízos na convivência social e no relacionamento com os colegas. O uso sem supervisão de telas também está relacionado ao aumento do risco de obesidade, problemas na alimentação e irritabilidade”, explica.
Para ela, a lei funciona como um pacto que protege crianças e adolescentes desses danos, já que habilidades como conversar e reconhecer emoções só se desenvolvem em interações reais. A psicóloga reforça a diferença entre o uso passivo e ativo das telas, que deve ser observado pelos responsáveis.
“No uso passivo, a criança apenas absorve estímulos. Já no uso ativo e orientado, com a mediação de um adulto, a criança realiza atividades que exigem memória, atenção e linguagem. A mediação direciona o uso para atividades adequadas à faixa etária, estimulando o desenvolvimento cognitivo em vez de servir apenas para acalmar comportamentos”, completa.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece limites específicos de tempo de tela por faixa etária no Brasil. De acordo com o Manual de Orientação da entidade, os responsáveis por menores em idade escolar devem restringir o uso para, no máximo, uma hora por dia para crianças de 2 a 5 anos; uma ou duas horas por dia para crianças entre 6 e 10 anos; e duas ou três horas por dia para adolescentes com idades de 11 a 18 anos. Medidas como a supervisão do uso devem ser contínuas, assim como a retirada de telas no momento das refeições e a desconexão uma a duas horas antes de dormir.
Papel dos responsáveis
Nesse cenário, vale destacar que a regra pode até mediar o uso do celular durante a jornada escolar, mas não muda a relação dos estudantes com as telas em outros espaços. Por isso, a educação digital também passa pelas famílias.
“Com a mediação de um adulto, o uso da tela pode ser direcionado e apropriado para o desenvolvimento de habilidades específicas nas crianças, o que oportuniza de uma maneira mais efetiva o desenvolvimento”,
pontua Jade.
A parceria com as famílias para estabelecer limites de tempo de tela foi classificada pelos gestores entrevistados pelo MEC como a prioridade número um (a maior prioridade) para os próximos passos de consolidação da lei, obtendo a maior média ponderada (4,39 em uma escala de 1 a 5) e o maior percentual de nota máxima (67% atribuíram a
classificação 5).
“A proibição sozinha não resolve. Ela cria a condição, mas o resultado depende da escola, dos professores e das famílias remarem juntos na mesma direção. O aprendizado do UP foi que a mudança de comportamento se sustenta quando existe consistência entre o que se pede na escola e o que se reforça em casa”, finaliza Portela. bookmark
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“O UP não trata tecnologia como um problema, e sim como ferramenta quando usada com propósito. Trabalhamos com uso orientado em momentos específicos: pesquisa, produção de conteúdo, plataformas educacionais. Tudo sempre na presença do professor, mantendo o celular fora da rotina espontânea da sala de aula.”
Fábio Portela
Diretor-presidente do
Centro Educacional UP
“No uso passivo [das telas], a criança apenas absorve estímulos. Já no uso ativo e orientado, com a mediação de um adulto, ela realiza atividades que exigem memória, atenção e linguagem. A mediação direciona o uso para atividades adequadas à faixa etária, estimulando o desenvolvimento cognitivo.”
Jade Carvalho da Silva
Psicóloga

Confira as recomendações sobre o uso de tela
Fonte: Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
O que diz a lei
A Lei Federal nº 15.100/2025 restringe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de educação básica em todo o país. Pelo texto, o uso do aparelho é proibido durante a aula, o recreio ou intervalos entre as aulas, somente sendo permitido para fins estritamente pedagógicos ou didáticos, conforme orientação dos profissionais de educação, e também para garantir acessibilidade ou em casos de emergência de saúde ou segurança. Um ano após a sanção, pesquisa nacional do MEC aponta que 92% das escolas brasileiras já implementam a norma.
Treinar o autocontrole é uma das estratégias para manter a atenção
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Rolar o feed virou o novo modo de espera, e sustentar a atenção em qualquer outra tarefa ficou cada vez mais difícil. Para especialistas, o problema não é a redução da capacidade de aprendizagem das novas gerações, mas a forma com que as plataformas digitais exploram sinais primitivos do cérebro para manter o usuário rolando sem parar. A boa notícia é que, assim como qualquer habilidade física, a atenção pode ser treinada com prática diária.
Luana Bastos do Nascimento Rosa, coordenadora do curso de Pedagogia da Multivix Vitória, explica que a dificuldade em manter o foco na era digital vem de um conflito de lógicas. “O scroll não tem ponto de chegada. Já o estudo é uma ponte que precisa ser construída pelo jovem. Por isso, é tão exaustivo para o cérebro migrar de uma tela de entretenimento infinito para seguir uma rota fixa”, analisa.
A explicação ajuda a elucidar outro mito, o da “multitarefa”. Na realidade, o cérebro apenas alterna rapidamente entre tarefas, o que desgasta a capacidade de concentração.
“Dar uma ‘olhadinha’ no Instagram enquanto estuda é um roubo de combustível mental. Isso mostra que o novo paradigma não mudou a inteligência dos jovens, e sim a tolerância deles ao tédio, ao descanso dos estímulos”, observa.
Atenção sequestrada
Para que a tolerância ao tédio possa ser reconstruída, é necessário entender, primeiro, por que o cérebro cede com tanta facilidade à tela. Kelly Guimarães Tristão, doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), aponta que o objetivo do scroll (do inglês, rolar ou rolagem) é mexer diretamente com os nossos botões de sobrevivência.
“Um exemplo está nos próprios ícones de notificação do celular. A maioria é vermelha, cor que representa urgência em nosso instinto primitivo de alerta”, pontua a especialista, que também é membro da Comissão de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região (CRP-ES).
O autoplay, função de reprodução automática de mídia em plataformas digitais, é outro vilão do foco. “Antigamente, uma página na internet tinha fim. O scroll é feito para que o cérebro do usuário nunca encontre um fim, uma meta”, afirma a psicóloga. Esse design, complementa, encontra terreno fértil na adolescência: “A tela vira um refúgio, e a rolagem automática age como anestesia, que não cura, apenas aprisiona as dores dos jovens.”
Apesar da gravidade desse quadro, a especialista é otimista. “A atenção pode ser treinada, como passar de uma fase difícil no videogame. Com prática diária, você recupera o controle do seu próprio tempo”, aconselha. bookmark
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“O scroll não tem ponto de chegada. Já o estudo é uma ponte que precisa ser construída pelo jovem. Por isso, é tão exaustivo para o cérebro migrar de uma tela de entretenimento infinito para seguir uma rota fixa.”
Luana Bastos do Nascimento Rosa
Coordenadora do curso de
Pedagogia da Multivix Vitória
“A atenção pode ser treinada, como passar de uma fase difícil no videogame. Com prática diária, você recupera o controle do seu próprio tempo.”
Kelly Guimarães Tristão
Doutora em Psicologia pela Ufes
e membro do CRP-ES

Fisioterapia da atenção:
métodos para reeducar
o foco
Mapeie o uso do celular: sem julgamento, observe quantas vezes você pega no aparelho ao estudar.
Elimine os gatilhos: para se concentrar melhor, silencie as notificações e deixe o celular em outro cômodo ou no modo avião.
Trabalhe em blocos: faça sprints curtos, com pausas entre eles, aumentando o tempo aos poucos.
Seja realista: evite cortes radicais para não criar frustração.
Priorize o descanso: durma bem para organizar memórias e restaurar o cérebro.
Treine o autocontrole: sentiu vontade de olhar o celular? Respire e volte à atividade.
Fixe horários: reserve momentos específicos do dia para as redes sociais.
Procure ajuda: um psicoterapeuta pode ajudar a organizar e processar os sentimentos.
Fonte: Luana Bastos do Nascimento Rosa, coordenadora do curso de Pedagogia da Multivix Vitória; e Kelly Guimarães Tristão, doutora em Psicologia pela Ufes
Na era da economia da atenção, estímulo a aprendizagem é desafio
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A cena é comum no ônibus, na sala de espera do consultório, no restaurante e em vários outros espaços: pessoas com seus celulares em mãos, alternando o uso entre diversos aplicativos e postagens nas redes sociais. Em uma realidade na qual o aparelho se transformou em uma extensão da vida pessoal, um ambiente foi diretamente afetado pelo excesso de informação, a sala de aula.
Afinal, na era da economia da atenção, em que essa função se torna cada vez mais escassa em meio ao volume massivo de conteúdos disponíveis on-line, professores e gestores escolares têm encontrado desafios para reter a concentração de alunos no modelo de escola tradicional, com carteiras enfileiradas, quadro à frente, professor falando e alunos sentados, apenas ouvindo.
Para a professora Cleonara Schwartz, do Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a transformação está relacionada também ao ambiente em que crianças e adolescentes estão inseridos. Segundo ela, estudantes que cresceram expostos a vídeos curtos, notificações, jogos e outros estímulos digitais chegam à escola acostumados a uma dinâmica de respostas rápidas e recompensas imediatas.
“A necessidade de reinventar o ensino surge porque os estudantes atuais, nascidos após os anos 2000, apresentam uma funcionalidade cerebral moldada por estímulos digitais rápidos e interações mediadas pela tecnologia. Acostumados a recompensas imediatas e telas, eles enfrentam a economia da atenção, em que plataformas digitais disputam seu foco. Isso cria uma atenção fragmentada e superficial, dificultando tarefas que exigem esforço cognitivo prolongado, como leituras complexas”, pontua Cleonara, também doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).
Aluno no centro da estratégia
Para driblar essa realidade no Espírito Santo, escolas têm buscado caminhos para tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico. Aulas de campo, cultura maker, jogos, debates, projetos, ferramentas digitais e até espaços específicos para ensinar os alunos a estudar passaram a fazer parte das estratégias.
No Centro Educacional Leonardo da Vinci, a aposta passa pela diversificação das experiências. A escola utiliza recursos digitais de forma intencional, mas procura evitar que a tecnologia seja um fim em si mesma: na educação infantil, há ateliês multifuncionais, cozinha experimental e oficinas; no ensino fundamental, uma Estação Biológica reúne aquário, borboletário e herbanário; no ensino médio, o espaço maker Bottega permite desde o uso de ferramentas tradicionais até impressoras 3D.
A instituição também promove iniciativas que envolvem pesquisas de campo, viagens acadêmicas, robótica, realidade virtual, inteligência artificial, gamificação e estudos de caso. A ideia é associar diferentes ferramentas a situações reais e ao debate, aumentando o envolvimento dos estudantes.
“Em termos de metodologia de avaliação, a novidade mais recente é o Cycle Test, que consiste em avaliações reduzidas, as quais alunos fazem semanalmente, mantendo-os sempre engajados em ritmo de estudo. Oferecemos aqui também aulas de Mindfulness, para estimular a atenção plena e aumentar a memória e o raciocínio. Também damos muita atenção aos aspectos socioemocionais, que ajudam a controlar a ansiedade, comum especialmente na adolescência”, cita Mário Broetto, diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci, do grupo Inspired Education.
No Centro Educacional Primeiro Mundo, em Vila Velha, a resposta também tem sido colocar o estudante mais vezes como protagonista da aula. A diretora Juliana dos Santos explica que a orientação é combinar momentos de exposição com experimentações, debates, trabalhos em dupla ou grupo e projetos que envolvam efetivamente os alunos.
“Pesquisas atuais asseguram que a perda de atenção acontece a cada cinco a sete minutos. Por isso, as aulas totalmente expositivas deram lugar a um planejamento que preveja tempo de exposição, ação dos alunos e outras metodologias que os envolvam, como júri simulado, pesquisa e debate de resultados, entre outros “, exemplifica.
Ensinar a estudar
Se o excesso de estímulos tornou mais difícil sustentar a atenção, outro movimento ganha espaço: ensinar a estudar. Para Cleonara Schwartz, essa é uma necessidade da escola contemporânea. Segundo ela, não é possível pressupor que o aluno já saiba estudar, pois, em meio ao excesso de informação, ele precisa aprender a selecionar, organizar e avaliar conteúdos.
“Hoje, ensinar o aluno a estudar significa exatamente desenvolver nele funções como a capacidade de planejar, de iniciar uma tarefa, de manter o foco de atenção, de eliminar as distrações, o que requer dele uma capacidade de autorregulação emocional”, salienta.
No Leonardo da Vinci, isso começa a partir do 6º ano, com disciplinas voltadas à organização dos estudos, em que os alunos aprendem a planejar a rotina, criar hábitos de estudo, utilizar mapas mentais, fazer resumos, fichamentos e pesquisas e identificar quais métodos funcionam melhor para cada um.
“Ensinar o aluno a ter autonomia de estudo, às vezes, é até mais importante do que um conteúdo específico. Ele levará para a vida toda”, pontua Mário Broetto.
No Primeiro Mundo, o foco é direcionar os alunos para que conheçam seu processo de aprendizagem. “Embora tenhamos heterogeneidade nas turmas, a orientação individual para isso é constante. Além das ações cotidianas internas, trazemos especialistas que colaboram nesse processo de aprender a aprender”, finaliza Juliana dos Santos. bookmark
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“A necessidade de reinventar o ensino surge porque os estudantes atuais, nascidos após os anos 2000, apresentam uma funcionalidade cerebral moldada por estímulos digitais rápidos e interações mediadas pela tecnologia.”
Cleonara Schwartz
Professora do Centro
de Educação da Ufes
“Ensinar o aluno a ter autonomia de estudo, às vezes, é até mais importante do que um conteúdo específico.
O estudante levará para
a vida toda.”
Mário Broetto
Diretor do Centro Educacional
Leonardo da Vinci
“Pesquisas asseguram que a perda de atenção acontece a cada cinco a sete minutos. Por isso, as aulas totalmente expositivas deram lugar a um planejamento que preveja tempo de exposição e ação dos alunos.”
Juliana dos Santos
Diretora do Centro Educacional
Primeiro Mundo
Fonte: Cleonara Schwartz, professora do Centro de Educação
da Ufes; Mário Broetto, diretor do Centro Educacional
Leonardo da Vinci; e Juliana dos Santos, diretora do
Centro Educacional Primeiro Mundo
Cinco dicas para aprender
a estudar com autonomia
Concentração é habilidade que pode ser desenvolvida e aprimorada, não é apenas qualidade natural
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Celulares, televisores, tablets, computadores… Em um mundo conectado, a exposição a diferentes telas é quase um movimento constante. Consequentemente, a quantidade de estímulos visuais também aumenta de modo significativo, e a concentração acaba sendo diretamente afetada com a fragmentação da atenção.
Para os mais jovens, o impacto é sentido na rotina de aprendizagem, que exige foco na hora dos estudos. Aliadas nesse processo, metodologias ativas trabalham com ferramentas que capturam a atenção do aluno e estimulam-no a consumir o que está sendo passado durante a aula.
“A pedagogia aposta em metodologias de ensino que colocam o aluno em situações desafiadoras. Ele assume o lugar principal para realizar determinada atividade. Tudo isso para estimular e tirar o aluno de uma situação de conforto e para que ele possa ir além dos próprios limites”, afirma Cleonara Schwartz, professora do Departamento de Linguagem, Cultura e Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Ela explica: o jovem é colocado em inúmeras situações na tela, com resposta imediata. Por isso, permanece naquele espaço, pois naquela interação instantânea aguarda uma recompensa que acompanha aquele comando.
Psicóloga educacional do Senac Espírito Santo, Alice Barcellos destaca que, para trabalhar o foco do aluno, é preciso desenvolver algumas estratégias a fim de gerenciar os estímulos. Entretanto, reforça, a concentração também é uma habilidade.
“E assim como muitas outras, não é algo que simplesmente o aluno tem ou não. A concentração pode ser desenvolvida. Ele não tem de nascer com a capacidade de concentração. Claro que tem alunos que naturalmente terão mais facilidade para se concentrar, mas existem estratégias para desenvolver isso”, enfatiza.
Na busca por mais foco, o primeiro passo é organizar o ambiente onde será feito o estudo, até mesmo dentro da sala de aula. O celular precisa ser utilizado apenas como um aliado, nos momentos em que for realmente necessário. Do contrário, pode ser deixado de lado.
Além disso, a psicóloga também recomenda traçar algumas metas e objetivos, por menores que sejam. No lugar de escolher uma matéria para estudar, por exemplo, o aluno pode delimitar uma quantidade de questões, o que permite a sensação de concluir aquela tarefa e evita que esse processo se torne exaustivo ou maçante.
Outra dica é tornar aquela situação algo palpável no mundo, como, por exemplo, tornar aquele desafio algo real. Essa estratégia é amplamente utilizada na educação profissional para que o estudante consiga reconhecer utilidade naquilo que está sendo ensinado e absorva o conteúdo por meio de uma concentração maior, como explica a diretora de Educação Profissional do Senac ES, Dianimer Dutra.
“Na educação profissionalizante, aqui no Senac, a gente tem uma conexão muito sistemática. Hoje, temos estratégias de desenvolvimento que conectam o mundo do trabalho com situações reais ou simuladas em ambientes de alta fidelidade, onde o docente vai sendo mediado em situações de aprendizagem, que são os desafios do mundo real do trabalho mesmo”, destaca.
A diretora explica que esses processos facilitam a concentração e chamam o aluno para o foco. Tudo aliado ao uso de tecnologia para que a sensação de imersão seja sempre na totalidade.
“Não podemos generalizar e dizer que o problema é do jovem, porque ele de fato vive em um ambiente de muitos estímulos. A atenção, mesmo que variável, pode ser desenvolvida”, finaliza. bookmark
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“Não podemos generalizar e dizer que o problema é do jovem, porque ele de fato vive em um ambiente de muitos estímulos. A atenção, mesmo que variável, pode ser desenvolvida.”
Dianimer Dutra
Diretora de Educação Profissional
do Senac ES
“O aluno não tem de nascer com a capacidade de concentração. Claro que há alunos que naturalmente terão mais facilidade para se concentrar, mas existem estratégias para desenvolver isso.”
Alice Barcellos
Psicóloga educacional
do Senac ES
Para fazer diferença na vida do aluno, educação midiática requer investigação da qualidade da informação das fontes
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Textos, imagens e vídeos produzidos por inteligência artificial (IA) dividem espaço nas redes com notícias, opiniões e desinformação. Nesse fluxo, algoritmos selecionam o que aparece na tela, e conteúdos capazes de despertar emoções ganham vantagem na disputa pela atenção. Para os educadores, o cenário traz um desafio: preparar os jovens para não serem consumidores passivos.
É nesse cenário que o letramento digital passa a fazer parte da formação dos estudantes, uma competência básica para o exercício da cidadania, define Guilherme Alves, gerente de Projetos da Safernet Brasil e especialista em Educação Midiática e Cidadania Digital. Essa dinâmica, acrescenta ele, envolve checar quem produziu uma informação e com qual intenção, compreender algoritmos e limites da inteligência artificial e desenvolver autonomia para pensar e criar.
A capacidade crítica se torna ainda mais necessária com a popularização da IA generativa. “Agora, é significativamente mais difícil distinguir o que é real do que é falso na internet”, afirma o jornalista Sérgio Lüdtke, editor-chefe do Projeto Comprova, coalizão de combate à desinformação da qual A Gazeta faz parte. Segundo ele, os algoritmos podem amplificar materiais sensacionalistas e prender usuários em bolhas de desinformação.
As bolhas, por sua vez, favorecem o viés de confirmação, no qual as pessoas privilegiam informações alinhadas às próprias crenças. Por isso, a educação midiática estimula a investigação da qualidade, da diversidade e da confiabilidade das fontes. Também é preciso observar quem está por trás da mensagem. “Questionar a autoridade de quem publica é fundamental para verificar a consistência e a integridade de uma informação”, defende Lüdtke.
Desacelerar para investigar
O desafio não está apenas no que chega às telas, mas também no ritmo de consumo. Vídeos de poucos segundos e feeds infinitos acostumam o cérebro a estímulos rápidos e podem dificultar a atenção sustentada e a leitura profunda. Alves cita o AI slop, conteúdo de baixa qualidade criado por IA que inunda as redes, e o brain rot, a sensação de empobrecimento cognitivo depois do consumo prolongado de materiais rápidos e superficiais.
“Quando o estudante se acostuma a esse consumo fragmentado e superficial, ele sente mais dificuldade para construir uma argumentação consistente e enxergar nuances em um debate”, explica.
Nesse ambiente de atenção fragmentada, conteúdos que despertam emoções também ganham vantagem. “A opinião pode ser mais atrativa do que a informação, e a mentira é mais sexy do que a verdade”, sintetiza Lüdtke.
Para ele, uma das primeiras orientações a ser incorporada pelos estudantes é aprender a desacelerar: pausar antes de reagir, questionar a origem do que recebem e verificar a informação antes de compartilhá-la.
É justamente essa pausa que pode ser transformada em exercício dentro da escola. Alves sugere atividades de análise de manchetes, posts, gráficos, fontes e bolhas informacionais. Lüdtke aponta o prebunking, que apresenta táticas de manipulação antes que um boato se espalhe, e análises simples de áudios, vídeos e domínios.
São práticas que ajudam a desenvolver o chamado “ceticismo saudável”, isto é, avaliar e questionar sem cair na desconfiança generalizada. bookmark
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“Quando o estudante se acostuma ao consumo fragmentado e superficial, ele sente mais dificuldade para construir uma argumentação consistente e enxergar nuances em um debate.”
Guilherme Alves
Especialista em Educação Midiática
e Cidadania Digital
“Questionar a autoridade de quem publica é fundamental para verificar a consistência e a integridade de uma informação.”
Sérgio Lüdtke
Editor-chefe do
Projeto Comprova
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E se for mentira? |
Compartilhar não é um ato neutro. Um boato pode prejudicar reputações, espalhar pânico e alimentar a desinformação. “Se tiver alguma dúvida, não compartilhe. |
Fontes: Guilherme Alves, gerente de Projetos da Safernet Brasil e especialista em Educação Midiática e Cidadania Digital; e Sérgio Lüdtke, editor-chefe do Projeto Comprova
Marcos Veras acredita que originalidade faz a diferença
no conteúdo: “Deixei ser refém do algoritmo”
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Em meio a notificações, vídeos
curtos e estímulos constantes, um dos desafios atuais na vida on-line é recuperar a capacidade de se desconectar para viver também a plenitude do off-line. A percepção é de um profissional que aprendeu a transitar e atuar em multiespaços, o ator, humorista e roteirista Marcos Veras.
Apresentador do EducarES 2026, ele observa que a velocidade das telas também mudou a forma como consumimos entretenimento e nos relacionamos com o outro. Para essa reflexão, traz a experiência de uma carreira que passa por TV, teatro, cinema, rádio e internet. Na compreensão do ator, escuta, atenção e originalidade são fundamentais tanto para o trabalho artístico quanto para quem busca encontrar a própria voz em um ambiente cada vez mais influenciado por algoritmos e tendências.
Na entrevista a seguir, Veras fala sobre os efeitos da conexão permanente, a força de uma boa história e os caminhos para fazer escolhas sem se tornar refém das métricas.
Como é prender a atenção de uma plateia hoje em dia, quando as pessoas estão acostumadas a checar o celular a cada cinco minutos?
É um desafio cada vez maior. Isso é um movimento global e tem a ver com ansiedade, com a velocidade das coisas, a velocidade do próprio entretenimento, das séries, das peças de teatro, dos filmes, a velocidade da própria vida.
A gente está o tempo inteiro conectado e perdeu a habilidade de se desconectar um pouco das telas, do on-line, do Wi-Fi; de se conectar com o outro, com a pessoa que está almoçando ou jantando com você, com o filme que você está vendo.
É um desafio cada vez maior. O entretenimento e a cultura vêm se adaptando a isso, talvez não fazendo conteúdos tão longos, mas isso não é uma regra.
Acho que seria muito importante a gente fazer o movimento contrário: começar a se conectar com outras coisas e desconectar de algo que nos deixa conectados 24 horas por dia. Isso não é saudável.

Ator falou sobre angústias causadas pela velocidade das telas e como é possível se desvencilhar dessas armadilhas
O que o trabalho de ator te ensinou sobre escutar o outro de verdade, sem a interferência do “ruído” ao redor?
O trabalho do ator é, essencial e primordialmente, praticar a escuta. A nossa profissão é feita do outro, seja o outro o público, seja o outro o parceiro ou parceira de cena. Então, a escuta, a vulnerabilidade de nós, seres humanos, é muito potencializada no ator, no artista.
O ator é um observador da vida, um observador do cotidiano. Então, acho que a escuta, o olhar, a atenção, o silêncio fazem parte do meu trabalho de ator, e disso não abro mão.
O humor nas redes sociais é marcado pela rapidez e pela fragmentação. Como dosar a linguagem rápida da internet sem perder a profundidade e a graça de uma história mais longa?
Acho que há espaço para todo tipo de história. A história tem de ser boa. Sendo fragmentada, rápida ou um pouco mais longa, ela tem de ser boa.
É claro que uma história fragmentada, rápida, feita em frames, em flashes, comunica mais rápido, mas tem mais dificuldade de aprofundar. É um desafio maior.
Uma história mais longa, se ela for boa, também tem seu desafio, mas acho que o prazer de quem está ouvindo essa história e de quem está contando é maior também, porque isso exercita a escuta, a paciência e o exercício de contar uma história com nuances, com qualidade, com riqueza de detalhes. Se a gente consegue fazer isso prendendo a atenção do outro, aí é só vitória.
Mas é claro que o humor nas redes sociais também tem o seu valor, tem a sua potência de fazer algo de forma rápida, direta, que comunica muito mais rapidamente.
Como o jovem pode usar a criatividade para se destacar no mercado sem virar refém das métricas e das tendências efêmeras do algoritmo?
Eu já fui vítima disso. O Mark Zuckerberg [cofundador e CEO da Meta – empresa proprietária do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, entre outras plataformas], a cada 15 dias, muda o algoritmo. O que funciona? Agora o Reels funciona. Depois é o carrossel que está fazendo mais sucesso.
Eu deixei de virar refém disso, porque acredito muito no conteúdo original. Acho que a originalidade é uma palavra importante. Mesmo que você se baseie em outro conteúdo, a gente é formado por inspirações, por outros ídolos, pelas nossas referências. Então, é claro que a gente carrega isso no nosso trabalho.
Para usar a criatividade hoje, o jovem não precisa necessariamente ficar refém das mudanças semanais que o algoritmo impõe, porque isso poda a criatividade, limita a criatividade. Se eu pudesse dar um conselho para os jovens, seria: continue fazendo o seu conteúdo, o que você gosta, o que você acredita. Isso é o essencial. bookmark
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O celular deve ficar fisicamente afastado do ambiente de estudo,
e não apenas desligado ao lado do estudante
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Acostumados a rolar a tela a cada 15 ou 30 segundos, os estudantes que se preparam para o Enem enfrentam um desafio que vai além do conteúdo das disciplinas: reaprender a sustentar a atenção diante de enunciados longos.
Para neurocientistas e especialistas em educação, a saída passa por técnicas de concentração conhecidas como deep work (do inglês, trabalho profundo) e por um uso mais criterioso de ferramentas de inteligência artificial (IA) na hora de treinar a redação.
O alerta vem da neurociência. Segundo Jader Vinicius da Silva Rocha, pesquisador de neurorreabilitação e neuromodulação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o cérebro do estudante está exposto a um fluxo contínuo de estímulos de alta velocidade, o que altera o funcionamento do circuito cerebral de recompensa.
“As plataformas de vídeos curtos, como Instagram e TikTok, entre outras redes sociais, produzem picos rápidos de dopamina, e isso não seria nem pelo prazer em si, mas pela expectativa do próximo clique”, explica o pesquisador.
Segundo ele, a exposição precoce e constante a esse tipo de conteúdo aumenta a probabilidade de a criança desenvolver déficit de atenção e uma descompensação do circuito de recompensa no futuro.
E o que é o deep work?
A técnica de deep work – ou trabalho profundo, na tradução para o português – consiste em períodos de concentração intensa e livre de distrações. De acordo com o pesquisador, estudos recentes mostram a eficácia de exercícios de atenção plena tanto para o desempenho cognitivo quanto para o fortalecimento do córtex pré-frontal, que é a região do cérebro responsável pelo controle e pela tomada de decisões.
“Exercícios de concentração ajudam a melhorar a distração e diminuir os níveis de ansiedade, principalmente em pessoas que têm a tendência de ficar muito tempo com telas”, afirma.
Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, reforça que o consumo exagerado de vídeos curtos e informações nas redes sociais tem consequências para o cérebro adulto e, ainda mais, para o cérebro em desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Ela cita a proibição do uso de celulares em sala de aula como uma medida que já vem sendo adotada em diversas escolas e países como forma de reduzir essa distração.
Na prática, os dois especialistas recomendam blocos de estudo de cerca de 20 minutos, seguidos de pausas curtas de cinco a dez minutos, aumentando progressivamente a duração dos períodos de concentração ao longo das semanas.
“O trabalho na academia é uma boa comparação: a pessoa começa com uma determinada carga e, quando percebe, já consegue assumir mais carga, ficando mais forte e tendo melhores resultados. Esse é um exercício bastante interessante para a escola aplicar”, recomenda Sonia.
O celular deve ficar fisicamente afastado do ambiente de estudo, e não apenas desligado ao lado do estudante.
“Se você deixar o celular do lado, mesmo de cabeça para baixo, e tiver alguma notificação, o cérebro já começa a ter esse processamento para tentar identificar o que chega”, explica Jader.
Sonia Dias confirma que há estudos que mostram que só o celular vibrando dentro da mochila, apenas perto do estudante, já causa de dez a 15 minutos de distração, mesmo que ele não veja a mensagem.
Segundo os especialistas, o processo deve ser encarado como um desmame gradual do vício em estímulos rápidos e não como uma recompensa imediata. Com o tempo, o cérebro passa a associar o estudo a uma recompensa futura, como a aprovação em um vestibular ou concurso.
É bom também ficar atento à prática. Passar muitas horas com os olhos no material de estudo não é sinônimo de concentração efetiva, alerta Jader. Ele recomenda a chamada leitura ativa.
Depois de ler um trecho, o estudante deve tentar explicar o conteúdo em voz alta para outra pessoa ou anotar, sem consultar o texto, o que conseguiu reter.
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“Exercícios de concentração ajudam a melhorar a distração e a diminuir os níveis de ansiedade, principalmente em pessoas que têm a tendência de ficar muito tempo com telas.”
Jader Vinicius da Silva Rocha
Pesquisador de neurorreabilitação
e neuromodulação da Ufes
“Quanto mais a gente conseguir qualificar esse uso, e não colocar na mão da IA todas as respostas, mais ela nos ajuda.”
Sonia Dias
Gerente de Desenvolvimento
e Soluções do Itaú Social

Estudo aponta que 84% dos estudantes brasileiros recorrem à IA para resolver atividades
Onde a IA
ajuda e onde ela atrapalha?
Um estudo do Itaú Social mostra que 84% dos estudantes brasileiros já recorrem à inteligência artificial para resolver atividades, tirar dúvidas e pesquisar, assim como parte dos professores.
Para Sônia, o problema não está na ferramenta, mas no uso que se faz dela.
“O grande risco da IA é terceirizar a informação. Não digo terceirizar a aprendizagem, porque a IA é uma coletânea de informações, não de aprendizado. O aprendizado é humano. O que a IA faz é simular esse aprendizado”, explica.
Jader segue a mesma linha e sustenta que não se pode depender das inteligências artificiais para escrever nem deixar que pensem por nós. “Elas são ótimas para revisar um texto que você já escreveu, mas o ideal é que, no final, ela aponte o que melhorou, para que você entenda o motivo. Você precisa pensar para dar os comandos para a máquina, não o contrário.”
Sonia resume o desafio como um equilíbrio: “Quanto mais a gente conseguir qualificar esse uso, e não colocar na mão da IA todas as respostas, mais ela nos ajuda”. bookmark
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Fonte: Jader Vinicius da Silva Rocha, pesquisador de neurorreabilitação e neuromodulação da Ufes; e Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social
5 passos para treinar o
foco até a redação do Enem
Plataformas conseguem recomendar conteúdos e
exercícios adequados ao nível de conhecimento do aluno
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Enquanto o uso de inteligência artificial (IA) para produzir redações e resolver tarefas escolares provoca discussões sobre autoria e aprendizagem, especialistas defendem outro papel para a tecnologia: o de tutora, capaz de fazer perguntas, oferecer pistas e indicar dificuldades sem entregar respostas prontas.
Segundo a professora doutora Rutinelli Favero, do Centro de Referência em Formação e Educação a Distância do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), a diferença está na interação proposta pela ferramenta.
“A IA pode atuar como tutora, e não como autora da aprendizagem”, afirma. Em vez de concluir uma atividade pelo aluno, o sistema pode questionar o raciocínio apresentado, apontar erros e sugerir caminhos para que o próprio estudante avance.
Na preparação para o Enem, esse uso pode ser aplicado tanto às questões objetivas quanto à redação. A ferramenta pode identificar problemas de argumentação, coerência ou repertório, mas a etapa essencial continua sendo a revisão feita pelo estudante.
“O que é pedagógico não é receber o texto corrigido: é revisar e reescrever, compreendendo por que aquilo precisa mudar”, explica Rutinelli.
As plataformas que utilizam learning analytics (análise de aprendizagem) analisam informações como desempenho, frequência de acesso, tempo gasto em atividades e número de tentativas. Com base nesses dados, conseguem recomendar conteúdos e exercícios adequados ao nível de conhecimento do aluno, evitando tanto a frustração causada por desafios excessivos quanto o desinteresse provocado por tarefas fáceis demais.
Para a professora doutora Ana Lúcia de Souza Lopes, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a IA pode funcionar como uma ferramenta de diagnóstico.
“Uma das possibilidades mais interessantes da IA é funcionar como um diagnóstico do que o estudante aprendeu, quais são suas dificuldades e necessidades nesse processo”, afirma ela, que também é integrante do Centro de Pesquisas em Inteligência Artificial Mackenzie (IAM).
As especialistas alertam, porém, que os dados não devem ser interpretados de forma automática. Permanecer pouco tempo em uma atividade pode indicar não só compreensão rápida, mas também cansaço, distração ou dificuldades. Por isso, o learning analytics deve servir para formular hipóteses, e não para produzir diagnósticos definitivos.
O papel do professor
A análise automatizada também não substitui o papel do professor. Embora sistemas adaptativos consigam modificar trilhas de estudo conforme padrões de desempenho, a personalização pedagógica exige interpretação humana e objetivos educacionais claros.
Outro ponto de atenção é a coleta de dados. Informações sobre hábitos, ritmos e dificuldades podem ajudar na personalização, mas também criam riscos relacionados à vigilância, à rotulação e às decisões automatizadas.
As especialistas defendem transparência sobre quais dados são coletados e como serão utilizados, especialmente quando envolvem estudantes menores de idade.
Para evitar dependência, Rutinelli recomenda que a IA seja usada para estimular o raciocínio. O estudante pode pedir, por exemplo, contraexemplos, questionamentos sobre respostas erradas ou explicações de conceitos a partir de situações cotidianas, sem receber imediatamente a solução.
“O risco da IA é remover justamente a dificuldade que é importante, que é parte do método”, afirma Rutinelli.
O desafio, segundo as pesquisadoras, não é escolher entre tecnologia e métodos tradicionais, mas definir o papel de cada elemento no processo educativo. A IA pode ajudar a identificar dificuldades, sugerir caminhos e oferecer feedback em tempo real. Já estudantes e professores continuam responsáveis por interpretar, refletir, revisar e construir o conhecimento.
“A tecnologia precisa ampliar a capacidade de pensar, e não substituir ou atrofiar o pensamento”, resume Ana Lúcia. bookmark
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“O que é pedagógico não é receber o texto corrigido: é revisar e reescrever, compreendendo por que aquilo precisa mudar.”
Rutinelli Favero
Professora doutora do Ifes
“Uma das possibilidades mais interessantes da IA é funcionar como um diagnóstico do que o estudante aprendeu, quais são suas dificuldades e necessidades nesse processo.”
Ana Lúcia de Souza Lopes
Professora doutora da
Universidade Mackenzie
Áreas como a de analista de dados exigem profissionais
mais focados
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Num cenário em que a inteligência artificial (IA) é capaz de gerar códigos, redigir relatórios básicos e organizar volumes massivos de dados em segundos, e está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas, surge uma dúvida: como fica o futuro de uma série de atividades profissionais?
Na avaliação de especialistas, o caminho não está na velocidade com que uma tarefa é feita, mas sim na profundidade. A capacidade de “mergulhar fundo” e manter o foco em problemas complexos revela-se como uma nova fronteira da vantagem competitiva no mercado de trabalho. Principalmente em áreas como as de desenvolvedores, analistas de dados, pesquisadores e profissionais de segmentos criativos.
O cuidado com essa formação começa no ensino superior, que enfrenta o desafio de integrar a tecnologia sem permitir que ela atrofie a capacidade cognitiva dos estudantes. Caroline Bezerra, coordenadora e docente no curso de Psicologia da Faesa, enfatiza que a análise profunda já era uma competência prevista, mas agora o foco é ensinar o aluno a não ser limitado pela ferramenta.
“O que você vai fazer com esse tempo que vai te sobrar a partir do uso da IA?”, questiona a especialista, apontando que o espaço ganho com a automação deve ser preenchido por criatividade e julgamento crítico.
Para evitar que o cérebro dos jovens se acostume a ter respostas prontas, faculdades têm adotado estratégias que remetem ao básico.
“Temos falado muito com os alunos que a gente precisa usar as tecnologias, mas também temos de recorrer às mais antigas, como a leitura, a escrita manual e o contato entre as pessoas. São ferramentas antigas que nós temos e que, comprovadamente, ampliam o nosso repertório cognitivo e a nossa capacidade de foco e de atenção”, afirma.
Caroline relata experiências práticas em que alunos são levados a espaços de estudos sem celulares.
“Soltá-los na biblioteca e falar: ‘Hoje a fonte de vocês é essa daqui. Guardem os celulares nas bolsas e eu quero que vocês tragam a resposta utilizando só os livros daqui’”. Essa desconexão forçada visa resgatar essas “tecnologias antigas”, como a escrita manual e a leitura densa.
Flávio Murilo, diretor nacional de ensino da Estácio, reforça essa visão ao alertar sobre o risco da “mastigação” intelectual pela inteligência artificial. “O problema não é o estudante usar IA. O problema é ele pedir para a IA mastigar tudo e depois achar que almoçou conhecimento”, adverte.
Para ele, o currículo moderno deve ser um “laboratório de pensamento” onde a IA é o ponto de partida, não o de chegada. Em áreas técnicas como Engenharia e Ciência de Dados, o foco mudou da técnica pura para a compreensão do problema: o aluno deve saber por que e para que apertar o botão.
“A alfabetização digital, hoje, precisa ser também alfabetização crítica. O estudante deve aprender a usar IA, mas também a compreender seus limites, seus vieses, seus riscos éticos e suas possibilidades. Não basta saber dar comando. É preciso saber avaliar respostas, comparar fontes, reconhecer erros, proteger dados, respeitar autoria e entender quando a tecnologia ajuda e quando ela empobrece a aprendizagem”, afirma.
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“A gente precisa usar as tecnologias, mas também temos de recorrer às mais antigas, como a leitura e a escrita manual. São ferramentas que, comprovadamente, ampliam o nosso repertório cognitivo e a nossa capacidade de foco e de atenção.”
Caroline Bezerra
Coordenadora e professora no
curso de Psicologia da Faesa
“O problema não é o estudante usar IA. O problema é ele pedir para a IA mastigar tudo e depois achar que almoçou conhecimento.”
Flávio Murilo
Diretor nacional de ensino da Estácio
“O diferencial humano passa a estar na qualidade do pensamento, na capacidade de fazer boas perguntas e assumir responsabilidade pelo resultado.”
Joyce Gomes
Gerente de Gente & Gestão
da Suzano

A qualidade do pensamento é um diferencial que as máquinas não podem oferecer
O caminho até o mercado de trabalho
Quando esses estudantes chegam ao mercado de trabalho, encontram um ambiente onde a régua do diferencial humano mudou. Na Suzano, por exemplo, a IA já faz parte do cotidiano com ferramentas. No entanto, a decisão final permanece com as pessoas.
Joyce Gomes, gerente de Gente & Gestão da Suzano, explica que o valor migrou para o que exige julgamento e interpretação de cenários complexos.
“O diferencial humano passa a estar na qualidade do pensamento, na capacidade de fazer boas perguntas e assumir responsabilidade pelo resultado”, destaca.
Em uma indústria de alto risco, a falta de foco não é apenas um problema de produtividade, mas de segurança e confiabilidade operacional. A empresa valoriza o que a gerente chama de “presença intelectual” — a capacidade de estar genuinamente concentrado em uma tarefa em um mundo saturado de estímulos como WhatsApp e Teams.
Diante de todos esses desafios, a visão da academia e do mercado é que a IA aumenta a velocidade, mas o ser humano dá o sentido. O mercado não busca mais “operadores de aplicativo”, mas profissionais que saibam estruturar raciocínios diante de dados incompletos.
Para os novos profissionais, a orientação é clara: treinar o foco como se treina um músculo. Flávio Murilo, diretor nacional de ensino da Estácio, sintetiza o desafio da nova era: “Em tempos de resposta instantânea, a demora bem orientada virou parte da formação. Às vezes, pensar fundo é ficar um pouco mais com o problema antes de correr para a resposta”. A vantagem competitiva do futuro, portanto, pertence a quem consegue desconectar-se do ruído para mergulhar no que realmente importa. bookmark
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Muitas profissões não são instagramáveis, mas se mostram fundamentais para o funcionamento da sociedade
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O ato de rolar o feed das redes sociais pode significar mais do que um hábito ou passatempo. Para muitos jovens, tornou-se uma espécie de catálogo de futuros possíveis. No entanto, o que deveria ser fonte de inspiração tem se transformado em armadilha pelas expectativas para lá de irreais.
Enquanto o Instagram e o TikTok exibem o sucesso, as viagens e o glamour, suas publicações frequentemente omitem o suor e a disciplina necessários para se alcançar resultados.
Assim, a geração Z está imersa num mundo onde o excesso de vitrines filtra a realidade, levando muitos a escolherem uma carreira baseada em um estilo de vida editado, e não em afinidade ou propósito real.
A cultura dos influenciadores e youtubers criou uma percepção distorcida sobre o que constitui uma trajetória profissional. Para Cosme Peres, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), o desejo pelo sucesso é inerente ao ser humano, mas as redes sociais tornam-no perigoso ao esconder o processo.
“Vemos muito mais o resultado e raramente aparecem as tentativas que deram errado, a disciplina necessária, a instabilidade e a pressão envolvida”, explica. Isso alimenta a ideia de que o sucesso precisa ser rápido e gerar reconhecimento imediato, algo que não condiz com a construção de uma carreira consistente, que exige acúmulo de conhecimento, experiência e resiliência diante dos erros.
Essa busca por “ganhos rápidos” esconde um erro fundamental: confundir a exceção com a regra. O algoritmo privilegia o que gera atenção, não necessariamente o que é sustentável ou compatível com o talento individual. O jovem corre o risco de terceirizar sua escolha para o algoritmo, acreditando que o universo limitado de profissões que aparecem na tela representa todas as possibilidades disponíveis no mercado.
Como fazer uma escolha consciente
Para fugir da comparação digital, a orientação profissional atual propõe que o jovem saia da “imagem” da profissão e busque a “experiência” real dela. Cosme Peres sugere que uma boa escolha ocorre no encontro de três dimensões essenciais: quem eu sou (identidade), o que eu gosto e consigo desenvolver bem (aptidão) e onde existe espaço para gerar valor para alguém (mercado).
Ele orienta que a pergunta norteadora deve ser honesta. “Eu quero essa profissão ou apenas o estilo de vida que imagino que ela proporciona?”. Conhecer o dia a dia real – a rotina menos glamourosa, a pressão e a repetição – é o que separa o sonho da frustração futura.
Isso, segundo o especialista, exige ampliar o repertório, buscando carreiras técnicas e tradicionais que, embora não produzam conteúdo “instagramável”, são fundamentais para o funcionamento da sociedade e oferecem estabilidade e crescimento sólido.
Entre os exemplos citados, estão técnicos industriais, profissionais de manutenção, logística, tecnologia, saúde, engenharia, construção, operação e outras áreas que sustentam cadeias produtivas inteiras.
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“Vemos muito mais o resultado, e raramente aparecem as tentativas que deram errado, a disciplina necessária, a instabilidade e a pressão envolvida.”
Cosme Peres
Vice-presidente da ABRH-ES
“O crescimento profissional pode acontecer rapidamente, desde que existam entrega, protagonismo e responsabilidade.”
Fernanda Peroba
Porta-voz da Viação
Águia Branca

A autonomia e o reconhecimento desejados pelos jovens também podem ser encontrados em carreiras corporativas e industriais
O que empresas esperam da geração Z
No mundo corporativo, o impacto dessa imersão digital já é visível nos processos seletivos. Fernanda Peroba, porta-voz da Viação Águia Branca, observa que é cada vez mais comum ouvir adolescentes dizerem que querem ser influencers.
No entanto, o mercado busca mostrar que a autonomia e o reconhecimento desejados pelos jovens também podem ser encontrados em carreiras corporativas e industriais, desde que haja conexão com um propósito maior.
Um ponto de atenção para os jovens é o desenvolvimento de competências relacionais. A imersão digital pode resultar em menos experiência em interações presenciais, manifestando-se como timidez ou insegurança no primeiro contato profissional. As empresas, por sua vez, estão adaptando seus ambientes para acolher esse jovem, focando menos o currículo robusto e mais o potencial de desenvolvimento.
Muitos jovens evitam empresas tradicionais por medo de uma progressão de carreira lenta e rígida. Contudo, a realidade tem mostrado o contrário. Na Viação Águia Branca, o conceito de que é preciso esperar anos para assumir responsabilidades está sendo quebrado.
“O crescimento profissional pode acontecer rapidamente, desde que existam entrega, protagonismo e responsabilidade”, afirma Fernanda Peroba.
Exemplos reais reforçam essa nova lógica: 95% dos estagiários da empresa são efetivados; há profissionais que entraram como aprendizes e atingiram cargos de gerência. Recentemente, a companhia implementou uma Gerência de Inovação, formada integralmente por profissionais da geração Z, incluindo líderes que conquistaram suas posições com apenas seis meses de casa.
É o caso de Henrique Demoner, de 26 anos, gerente de Processos, Inovação e Clientes do Grupo Águia Branca. Após iniciar na empresa como estagiário, o jovem construiu sua trajetória até a liderança em um ciclo de apenas dois anos.
“Claro que, assim como todos os jovens, também me vejo em alguns momentos vítima do imediatismo gerado pelas histórias contadas na redes sociais de sucessos milionários repentinos gerados pelas criações de conteúdos, e empreendedorismo”, pontua.
Contudo, Demoner não mudou seu foco. “Mais uma vez, a cultura de crescimento e desenvolvimento que foi oferecida para mim e para outros profissionais que acompanho de perto me fizeram sentir que valeria a pena investir meu tempo e me dedicar a essa carreira.” bookmark
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No caminho do aprendizado, o protagonismo juvenil ajuda
a criar espaços de formação, de diálogo e de participação
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Os conhecimentos adquiridos no ambiente escolar são capazes de construir uma bagagem intelectual que dará fundamento à vida adulta. Entretanto, para além do desenvolvimento educacional, é preciso ficar atento à construção de habilidades que estimulem a independência e autonomia, em busca da maturidade também emocional e profissional.
O resultado direto desse esforço é uma sociedade formada por cidadãos críticos, socialmente ativos e responsáveis por construir e reforçar diferentes espaços de reflexão.
“Nós saímos daquele modelo de apenas decorar para um modelo em que é preciso aprender. E como isso é feito? Por meio de metodologias ativas, projetos e etc. Tudo porque, hoje em dia, o aluno é o protagonista”, pontua o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Espírito Santo (Sinepe), Moacir Lellis.
Na avaliação do dirigente, é preciso agregar ao conteúdo didático ferramentas de ensino que trabalhem esse desenvolvimento do aluno, como a educação midiática, o letramento digital e o uso ético da inteligência artificial.
“Foi preciso nos reinventarmos para que o espaço de educação pudesse ser de atenção e profundidade novamente. No Brasil, hoje, o jovem passa quase nove horas utilizando o celular por dia. Não podemos ignorar isso”, ressalta.
Escolhas conscientes
A secretária de Estado da Educação do Espírito Santo, Andréa Guzzo Pereira, explica que desenvolver a autonomia é fundamental para que os jovens possam fazer escolhas conscientes, assumir responsabilidades e participar ativamente da sociedade.
“Em um contexto marcado pelo grande volume de informações, pelas transformações tecnológicas e por diferentes desafios, é importante que os estudantes desenvolvam a capacidade de pensar criticamente, tomar decisões, resolver problemas e lidar com as consequências de suas escolhas”, destaca.
De acordo com a secretária, a autonomia também contribui para que eles reconheçam suas potencialidades, desenvolvam confiança em suas capacidades e construam seus projetos de vida.
“O protagonismo juvenil pressupõe a participação ativa e direta na identificação e na busca de soluções para problemas coletivos, reconhecendo os jovens não apenas como parte dos desafios, mas também como fonte de soluções. Dessa forma, eles deixam de ocupar um lugar passivo e passam a ser sujeitos ativos e corresponsáveis pelos processos de transformação social”, pontua.
No mapeamento de oportunidades para esta nova realidade, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) desenvolveu o projeto Geração Protagonista, por meio da Gerência de Educação em Tempo Integral (Geti). As ações são dedicadas a estudantes da educação em tempo integral da rede pública estadual.
A secretária explica que cada escola participante é representada por dois alunos. Eles atuam como articuladores perante as equipes de Jovens Protagonistas das escolas, compartilhando os conhecimentos e as experiências vivenciados nos encontros e mobilizando seus pares para o desenvolvimento de ações que envolvem toda a comunidade estudantil.
“O projeto Geração Protagonista promove o protagonismo juvenil ao criar espaços de formação, de diálogo, de participação e, principalmente, de atuação dos próprios estudantes. Nos encontros virtuais, os adolescentes têm contato com temas relevantes para a juventude e para a sociedade, dialogam com outros estudantes e refletem coletivamente sobre possibilidades de ação em suas escolas”, detalha.
Ao final de cada encontro, é proposta uma missão, relacionada ao tema abordado, que deve ser planejada e realizada pelos próprios estudantes em suas escolas. Nesse processo, eles assumem o protagonismo ao pensar, organizar e executar as ações, considerando a realidade e as necessidades de seus pares.
“Em um cenário de excesso de informações e de conteúdos cada vez mais rápidos e superficiais, formar jovens capazes de ir além do que é apresentado, analisar diferentes perspectivas e transformar informação em conhecimento e ação é essencial para que participem de forma consciente, crítica e responsável da sociedade”, afirma Andréa Guzzo. bookmark
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“O protagonismo juvenil pressupõe a participação ativa e direta na identificação e na busca de soluções para problemas coletivos.”
Andréa Guzzo Pereira
Secretária de Estado da Educação
do Espírito Santo
“Foi preciso nos reinventarmos para que o espaço de educação pudesse ser de atenção e profundidade novamente.”
Moacir Lellis
Presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Espírito Santo (Sinepe)
A tecnologia está totalmente inserida no cotidiano dos jovens
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Se no passado o mundo digital era o futuro, hoje ele já domina o presente para várias funcionalidades, até para tornar o amanhã mais promissor. Afinal, quando bem canalizada, a conexão pode ser a porta de entrada para jovens empreenderem, desenvolverem habilidades e impulsionarem a carreira.
“Um jovem que apresenta interesse por redes sociais pode descobrir possibilidades profissionais relacionadas ao marketing digital, design, análise de dados ou produção audiovisual. Quem se interessa por jogos pode desenvolver conhecimentos em programação, modelagem, design de experiências e desenvolvimento de softwares”, exemplifica Jales Cardoso Soares Junior, secretário de Estado da Ciência, Inovação, Tecnologia e Educação Profissional (Secti).
Segundo ele, ferramentas de inteligência artificial (IA), por exemplo, podem ser utilizadas na criação de soluções para áreas como educação, turismo, comércio, indústria, economia criativa e pequenos negócios.
Quando conhecimento técnico, criatividade, empreendedorismo e problemas reais são colocados em diálogo, surge um ambiente favorável ao desenvolvimento de novos produtos, serviços, projetos e soluções, avalia o secretário.
“É importante estimular uma mudança de perspectiva diante da tecnologia. Em vez de perguntar apenas ‘o que essa ferramenta pode fazer por mim?’, é interessante também perguntar ‘o que posso criar com essa tecnologia?’. Essa mudança ajuda a transformar o usuário em protagonista e pode abrir novas possibilidades profissionais e empreendedoras”, destaca.
De acordo com a pesquisa “Adolescência Sem Filtro”, realizada em junho de 2026 pelo Instituto Alana em parceria com a agência Koga, quase oito em cada dez jovens passam mais de três horas conectados à internet, enquanto, pelo menos, 15% excedem esse tempo.
Cultura empreendedora
Nesse sentido, a transformação digital pode apoiar o despertar de propósitos pessoais e profissionais. “Em um cenário marcado por mudanças tecnológicas, sociais e econômicas cada vez mais rápidas, desenvolver uma mentalidade empreendedora é também preparar esta nova geração para profissões que estão se transformando e para oportunidades que talvez ainda nem existam”, pontua Jussara Pancieri, gestora estadual do Programa de Educação Empreendedora do Sebrae/ES.
De acordo com ela, é possível trabalhar o empreendedorismo por meio de projetos interdisciplinares, resolução de problemas reais, investigação, inovação, tecnologia e desafios relacionados ao território e à comunidade. Dessa forma, conhecimentos de matemática, linguagens, ciências, tecnologia e outras áreas passam a ser utilizados na construção de soluções concretas.
“Essa abordagem torna a aprendizagem mais significativa porque aproxima aquilo que é ensinado na escola da realidade dos estudantes. O professor continua tendo um papel fundamental, mas também atua como mediador de experiências que estimulam o estudante a pesquisar, experimentar, criar, colaborar e aprender fazendo”, aponta.
Para além do ambiente educacional, muitas empresas já entendem essa mudança de comportamento e têm desenvolvido ações de empreendedorismo para motivar os jovens a desenvolver a independência.
O superintendente do Banco do Brasil no Espírito Santo, Helton Leite, conta que a instituição concebeu diferentes ferramentas de educação financeira. O Rolê que Rende, por exemplo, é um projeto itinerante que busca falar sobre dinheiro por meio de jogos, rodas de conversa e conteúdos digitais.
Leite defende que o papel da educação financeira transcende o foco econômico. Por isso, a finalidade é preparar pessoas, especialmente os jovens, para fazer escolhas mais conscientes.
“Quando um jovem começa a aprender a planejar, a consumir de maneira mais consciente, aprende a lidar com tomada de decisão, a avaliar riscos. No nosso contexto, o objetivo é estimular, por meio dessas iniciativas, um planejamento, um consumo consciente, uma organização financeira para aquela família, dentro daquela casa. Nosso papel é despertar a reflexão e contribuir com uma sociedade cada vez mais consciente e preparada nesse sentido”, enfatiza. bookmark
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“Quando um jovem começa a aprender a planejar, a consumir de maneira mais consciente, está aprendendo a lidar com tomada de decisão.”
Helton Leite
Superintendente do Banco do Brasil
no Espírito Santo
“É importante estimular uma mudança de perspectiva diante da tecnologia. Em vez de perguntar apenas ‘o que essa ferramenta pode fazer por mim?’, é interessante também perguntar: ‘o que posso criar com essa tecnologia?’”
Jales Cardoso Soares Junior
Secretário de Estado da Ciência, Inovação,
Tecnologia e Educação Profissional
“Desenvolver uma mentalidade empreendedora é também preparar esta nova geração para profissões que estão se transformando e para oportunidades que talvez ainda nem existam.”
Jussara Pancieri
Gestora estadual do Programa de
Educação Empreendedora do Sebrae ES
Escolas e faculdades planejam atividades para alunos e comunidade
Instituições de ensino revelam o que estão preparando para os alunos e a comunidade no próximo ano
Falta pouco para 2026 terminar e as instituições de ensino entendem que este é o momento para construir e consolidar as novidades do próximo ano.
Entre planejamentos e projetos já definidos, escolas, faculdades e outras entidades traçam perspectivas de melhorias para alunos e a comunidade.
Há mais ofertas de cursos, investimentos em tecnologia e materiais, além de reformulação de práticas. Confira na próxima página as novidades para 2027.
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Inteligência artificial (IA)
A aplicação da inteligência artificial (IA) na educação ganha mais espaço, como aponta a Faesa, que planeja intensificar o uso nos cursos de graduação, focando as competências para se desenvolver
no mundo do trabalho.
Intercâmbio
O intercâmbio em outros países é uma prática que a Faesa pretende ampliar em 2027. Atualmente, o processo é realizado com os Estados Unidos, Chile e Portugal, e a instituição busca estabelecer novos convênios para o ano que vem. A Multivix também expandirá os programas de intercâmbio, em parceria com a Galileo Global Education.
Nova unidade
Com faculdades em Vitória e Vila Velha, a Estácio vai inaugurar no próximo ano uma unidade na Serra, oferecendo, inicialmente, vagas nos cursos de Direito, Enfermagem e Psicologia.
Serviços à comunidade
A unidade de Vitória da Estácio está preparando um novo serviço à comunidade:
o atendimento veterinário gratuito,
com previsão de início no segundo
semestre de 2027.
Centro de Especialidades
Com a oferta de mais de 500 vagas no curso de Medicina, a Multivix vai iniciar, em 2027, o projeto do Centro de Especialidades voltado à formação prática dos alunos.
Material didático
Para o material didático do ensino fundamental bilíngue, o UP firmou parceria com o PES English. A instituição também renovou e atualizou as apostilas das matérias básicas em todos os segmentos.
Itinerários formativos
Para 2027, o Leonardo da Vinci prevê ajustes na grade curricular e nos itinerários formativos do ensino médio, com alterações na carga horária de Sociologia e Filosofia e oferta de novas disciplinas eletivas, além de mais medidas para uma transição tranquila entre o ensinos fundamentais I e II.
Olimpíadas
O Primeiro Mundo planeja ampliar a preparação de alunos em projetos para olimpíadas do conhecimento, consideradas porta de entrada para o ensino superior no país e relevantes iniciativas no processo de aplicação em universidades internacionais.
Oportunidades
O Senac-ES iniciou o planejamento estratégico da instituição para 2027 a fim de identificar oportunidades, fortalecer a cultura de inovação e aprimorar a atuação em diferentes áreas.
Novos cursos e bolsas
A Multivix pretende ampliar as oportunidades de ingresso na graduação presencial, semipresencial e EAD com bolsas pelos programas Prouni e Multirealiza. A Faesa também prevê ampliar projetos de extensão com bolsas para os estudantes e ofertar novos cursos.
Carreira
Entre os projetos da Faesa para 2027, está a ampliação da plataforma da instituição para gestão de carreira, que possibilita a conexão dos estudantes com o mercado de trabalho, o cadastro e o aprimoramento do currículo e a gestão de estágios, entre outras ferramentas. O Senac-ES, na área de educação profissional, também vai reforçar as metodologias ativas que usa para desenvolver estratégias de conexão do mundo do trabalho com situações reais ou simuladas em ambientes de alta fidelidade.
Infraestrutura
Em termos de estrutura física, o
Leonardo da Vinci aponta que o investimento
é constante em melhorias para deixar cada espaço ainda mais moderno e aconchegante. A Faesa também vai ampliar a área do hub de inovação, para aprimorar as áreas existentes com mais inovação e tecnologia.
Protagonismo juvenil
A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) planeja seguir investindo em projetos que valorizem o protagonismo juvenil, com a participação ativa e direta dos alunos.
Turmas especiais
Para fortalecer a preparação dos estudantes, o UP vai seguir com o projeto de turmas semi-integrais de Medicina, oferecidas da 1ª série do ensino médio ao pré-vestibular, voltadas a alunos que miram Medicina e outros vestibulares de alta concorrência. E também uma turma especial para engenharias e vestibulares militares, aberta a alunos de todo o ensino médio.
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